1 - Clique no link a seguir http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx e leia a matéria “A Revolução do pós-papel. Ler e escrever na Era Digital. A revolução da internet e dos tablets mudou a maneira como usamos a linguagem – e está afetando nosso modo de pensar” (Revista Veja de 19/12/2012).
2 - Escolha um trecho curto, uma frase ou período, interessante para você. Poste um comentário com esse trecho e uma justificativa para a sua escolha.
ATENÇÃO! VOCÊ NÃO PODE REPETIR UM TRECHO JÁ ESCOLHIDO POR OUTRO PARTICIPANTE DESSE FÓRUM.

Camila de Souza Ferreira
ResponderExcluir"Já existem "livros enriquecidos", que trazem trilha sonora, vídeos e fotografias, novidades já disponíveis no Brasil. Na Inglaterra, a edição enriquecida de Aventuras de Sherlock Holmes emite sons - gritos, trovões, ventos uivantes - à medida que o leitor avança nas páginas. Tudo é acionado automaticamente. Uma edição de On the Road (Na Estrada), clássico de Jack Kerouac, traz mapa, biografias, fotos e um áudio de quase dezessete minutos do autor lendo um trecho do livro, de origem até hoje desconhecida.É um aplicativo para tablet. A "versão enriquecida" de um livro é uma tolice para quem arar as 1500 páginas de Guerra e Paz, mas é excelente como material de pesquisa, fonte documental"
Lendo o trecho acima, passei a me perguntar se o livro, tal como conhecemos, papel mais letras, continua a ser livro na medida em que ganha tais recursos. Será ele ainda livro? Terá ainda o poder de mexer com a subjetividade, de estimular/aguçar a imaginação, ou de lubrificar/desautomatizar o pensamento? Será mesmo ganho o livro adquirir tais recursos? Se sim, ganho para quem? Para mim, um livro com tais recursos assemelha-se a filmes de suspense ou terror que, a cada movimentação dos atores ou brisa circulando no cenário, aguardamos o susto a ser tomado. Parece-me que a atenção, que deveria estar voltada para as linhas e entre-linhas da mensagem, faz-se fugidia, dispersa. Onde fica a leitura daquele que lê? Será mesmo que um livro classificado como enriquecido oferece interação enriquecedora entre sujeito e objeto? E do que se enriquece, aquele que lê um livro como esse? Uma das senhoras entrevistadas, a neurocientista Maryanne Wolf, diz-nos que nós, biologicamente, não nascemos para ler, que o ato da leitura é algo cultural. Tal ato amplia a nossa capacidade de pensar, certamente - aqui, uma leiga e não uma cientista -, por exigir uma atenção e esforço muito maior para não só decodificar letras, mas, principalmnte, apreender a mensagem que elas visam passar e mais ainda para dialogar com elas. Francamente, não sei em que esses recursos podem contribuir para uma leitura que expanda o campo de visão do leitor, uma vez que nem o direito de imaginar um trovão, grito, ou vento, eles dão àquele que lê, ou caberia melhor os verbos ver e ouvir?
É, Camila, realmente não conhecemos ainda as consequências dos "livros enriquecidos"...
Excluir“Da cultura escrita para a digital há uma mudança de fundamento que não ocorre há milênios. A forma física que o texto adquire num papiro de 3000 anos antes de Cristo ou numa folha de papel é essencialmente distinta. Na era digital, a mudança é radical.”
ResponderExcluirFico pensando que a questão da tal revolução trazida pela matéria não deve ser pensada em termos de saudosismo ou entusiasmo, a realidade é absolutamente complexa e nos exige cautela. Para ficarmos apenas no Brasil - e são vários “países” dentro deste - convivemos com a extrema sofisticação promovida pela Era digital, transformando nossos modos de ler e escrever, certamente, mas também somos tomados de perplexidade diante de um analfabetismo descabido. Trata-se, ao meu ver, de um analfabetismo de toda ordem. Há os que nada lêem, não convivem com práticas de letramento, muitas vezes têm acesso bastante restrito à circulação da escrita, ou seja, não se apropriaram sequer da forma física tradicionalmente adquirida pelo texto. Mas há também o problema do analfabetismo funcional, condição que, inclusive, tem chegado cada vez mais às Universidades, como apontam as últimas pesquisas. Todavia, e olhando especialmente para o texto proposto, me parece que estamos diante de um analfabetismo um pouco mais sutil. Nesse tempo, da Revolução Digital, e para aqueles que têm acesso às suas benesses, parece não ter fim a quantidade de informação, de escrita, disponíveis. Talvez nunca tenhamos lido tanto, mas, paradoxalmente, parece que nunca lemos tão pouco. Falo dessa experiência de leitura que arrebata e transforma. Essa leitura que interpela a vida parece já não ter espaço quando o desejo é estar, simplesmente, totalmente, bem informado, e em dia com as novidades, inclusive as literárias. Parece que a Revolução potencializa a leitura e, ao mesmo tempo, a minimiza , justamente porque intimida uma experiência que não proponha uma simples sopa de letras liquidificada pelas tecnologias da midiatização. Não é pouco relevante a preocupação de Benjamim em torno da leitura profunda, justo porque, é claro, isso afeta a maneira dessa geração quanto ao uso da linguagem e à construção do próprio pensamento. Não penso que estejamos diante de uma experiência de leitura que nos ajude a afirmar/reinventar o nosso lugar de leitores, diferente daquilo que já esteja previamente marcado, visado - e, ainda, o que se pretende é mais controle: espiar a mente do leitor. Que grande pretensão revelar os segredos da leitura! Prefiro acreditar que serão sempre indevassáveis. Felizmente, parece que o controle possível passa pela quantidade de páginas lidas, pelo tempo consumido, pelos títulos preferidos. Ainda não é possível saber até que ponto a rapidez ou o adiamento da leitura passa pelo sabor, como lemos em Clarice Lispector, em sua Felicidade Clandestina, ou como experimentamos nós mesmos ao adiar a leitura de um romance com pena de ter chegado ao fim. Não se pode, ainda bem, controlar a leitura experimentada como força, território, percurso, relação, imaginação, encantamento. Talvez estejamos precisando de menos parafernálias tecnológicas e de mais “Sherazades“, possuídas pelo texto que leem.
Flávia, para mim, não importa o canal. Importa que os bons textos sejam lidos por um número maior de pessoas a cada dia! Não acha?
Excluir"A escrita no universo on-line é o próprio portal da estrada da ignorância"
ResponderExcluirCom a advento da internet, redes sociais e celulares altamente conectados, muito se tem discutido a influência em que as novas tecnologias tem sob a escrita. Há quem diga que ela interfere e até mesmo agride a norma culta, principalmente quando se trata do uso de siglas, onomatopeias, ou seja, uma linguagem mais informal no sentido mais amplo. Particularmente, discordo um pouco desse discurso quando usam as novas tecnologias para justificar problemas na escrita. A internet, por exemplo, dá acesso a informação e isso pode contribuir para o processo criativo do aluno na hora da elaboração de um texto. A partir disso, o aluno também poderá se expressar melhor na hora de sua produção. Vale ressaltar que cada pessoa pode passar por essas etapas de criação sem o intermédio da internet ou qualquer outra tecnologia, a questão é que nesse caso, ela não se apresenta como "o portal da estrada da ignorância" como afirma a revista Veja. O que precisa ficar claro é o momento de saber "usar" a linguagem virtual, mostrar que em um contexto de sala de aula, tal gênero não é o mais adequado e que existe um momento certo para ele. É de suma importância perceber que a internet e tecnologias no geral podem nos favorecer em alguma forma e também lidar com ela ao invés de resisti-la. É dever da escola mostrar ao aluno que existem diferentes linguagens e que as tecnologias fazem parte do cotidiano das pessoas.
Claro! Tudo depende da Situação de Comunicação, fenômeno também relevante no mundo virtual!
Excluir"O pesquisador Bob Stein, fundador de uma entidade que estuda o futuro do livro, diz que a leitura solitária será substituída por uma atividade comunitária eletronicamente conectada. É o que ele chama de 'leitura e escrita sociais'". (pág. 152).
ResponderExcluirEsse trecho me chamou a atenção por abrir minha mente para essa nova possibilidade que a leitura digital está criando: a possibilidade de interação entre os leitores, em tal nível que a atividade de leitura se tornará comunitária ao invés de individual.
Por um lado, isso parece ser interessantíssimo. Poder discutir a qualquer momento sobre o que se está lendo com outros leitores da internet parece ser algo que pode contribuir muito para melhorar o trabalho de reflexão e questionamento sobre o texto lido. Além disso, se algum leitor estiver tendo dificuldades de compreensão, ele poderá facilmente tirar dúvidas ou fazer perguntas para outros leitores online.
Contudo, me pergunto se a leitura se tornará aos poucos uma atividade exclusivamente comunitária e perderá seu caráter de solidão. Assim como a interação com outros é importante para o crescimento pessoal, acredito que momentos de solidão também são fundamentais. Talvez a interação excessiva com outros leitores possa atrapalhar seu contato individual com o livro e consequentemente sua perspectiva em relação a ele.
Terminarei com uma frase da Martha Medeiros sobre a relação entre leitor e livro: "A intimidade entre um livro e seu leitor apenas o silêncio abençoa".
"Em breve, será possível entrar em contato com esses leitores, mandar-lhes um e-mail, discutir o trecho assinalado.Na rua, não se verá mais o título do livro do vizinho. Mas, no mundo virtual, vai-se poder muito mais do que só espiar."
ResponderExcluirA leitura digital tornou-se uma alternativa para muitos leitores que apreciam a variabilidade oferecida pela tecnologia da informação. Ela proporciona leituras mais rápidas e também o acesso ao acervo de sua biblioteca de qualquer lugar do planeta, bastando ter o aparelho leitor de e-books e armazenado nele os seus livros preferidos. Na minha opinião,os livros digitais venham apenas a acrescentar o nosso acervo físico, facilitando a leitura pelo meio digital, quando estamos impedidos de manusear ou mesmo locomover com os nossos livros. O livro ainda nos instiga pela sua capa, pelo seu formato, queremos poder apalpá-lo e colocar na estante e depois quem sabe, ser acolhido por um outro leitor. O livro digital quanto o físico, caminharão em paralelo atendendo a demanda dos mais variados tipos de leitores.
Isso se torna , ainda , muito mais prazeroso quando podemos compartilhar todos os nossos gostos como leitores com outras pessoas que também gostam da mesma leitura que você , poque só assim a versatilidades de ideias e conceitos fico muito mais completa e deliciosa de ser analisado. É apenas um novo caminho que se abre, pois há espaço para todos.
“Para desconforto dos escritores a vida digital é veloz. Uma historia precisa causar impacto na largada. “Tem de ter sangue na parede já no fim do segundo parágrafo””
ResponderExcluirFalar sobre essa questão é um tanto quanto complicado porque chega a ser quase doloroso... a perda do livro para a era digital. O livro, suas folhas, seu cheiro de novo ou suas manchas de velho, a assinatura do irmão mais velho ou os rabiscos do irmão mais novo, a dedicatória do amigo ou as anotações de rodapé do avô. A possibilidade de observar uma página virarem duas e duas virarem 100. A possibilidade de guardá-lo na estante junto a tantos outros títulos que contam diversas histórias e mais do que isso a sua história. A possibilidade de pega-lo a qualquer momento só para abrir em qualquer página e quase poder ouvir a voz saudosa dizer “Era uma vez a muitos e muitos anos atrás”. Já parece suficientemente ruim que tudo isso se perca. Mas o que mais me chamou atenção na frase foi a questão do ritmo, porque essa é um questão sério, e essa é uma questão problemática da leitura digital. Dos incontáveis resultados e textos que se pode acessar com o clique de um mouse em um link, muito podemos contemplar, mas do texto perde-se algo essencial, uma vez que não se contempla seu tempo. É preciso que o texto seja rápido, dinâmico e instantaneamente envolvente porque são muitas possibilidades, e é difícil escolher e é difícil se concentrar, não há tempo para os textos lentos. Não há tempo para o tempo do texto.
É verdade que a minha posição pode estar sendo muito radical, mas é porque ver refletida na frase acima a angustiante percepção – a qual eu já havia chegado – de que muito se perde do texto as custas da modernização, me causa medo dos caminhos aos quais nos leva a era digital: um viver e um relacionar-se (mesmo no que diz respeito aos livros!) insensível e superficial, uma vez que o importante são as manchas de sangue na parede para que se chame logo a atenção.
“Até os segredos da leitura, antes indevassáveis na mente do leitor, estão sendo revelados. Amazon, Apple e Google espionam o leitor a qualquer hora. Sabem quantas páginas foram lidas, o tempo consumido, os títulos preferidos”.
ResponderExcluirO processo descrito nessa passagem é a evolução de algo que já se dava no tempo da hegemonia da editora de papel. Quando entramos numa livraria e vemos a absoluta ausência de certos autores e certos gêneros, enquanto frequentemente um único título ocupa dezenas de prateleiras, estamos diante de uma grosseira tentativa de compreender os hábitos do leitor. A lógica é que, se um livro vende muito, ele provavelmente pode vender mais.
O pensamento é grosseiro mas é obviamente eficaz, que o diga a saúde indiscutivel que apresentou o mercado editorial durante o século XX. Do ponto de vista do leitor, é claro, o processo não era satisfatório. Embora obviamente o título que ocupa massivamente as prateleiras seja uma preferência da maioria, também podem não ser poucos os que não se interessam por esse volume ou esse gênero, e são esses que passam a ser contemplados pelo avanço tecnológico descrito no trecho acima.
Por um lado, isso é de fato positivo para o leitor. O indivíduo que não queria ler “Crepúsculo” ou “Quem Mexeu no Meu Queijo”, conhecidos sucessos editoriais, mas tem um interesse em poesia concreta pode virtualmente ter acesso a uma mega store com opções de títulos desse gênero. De leitor marginal, relegado às buscas em sebos, ele passa a um leitor contemplado pelo mercado. O ponto de ressalva se dá quando observamos o comportamento dos leitores atualmente já contemplados pelo mercado. Isto é, aqueles cujo o gosto já coincidia com o do mercado editorial antes da revolução do “pós papel”. Até onde ele não teve seu caminho de leitura institucionalizado? Até que ponto, para esse leitor, a leitura não deixou de ser um conduínte de um mundo a outro para se tornar um circulo vicioso de um mesmo livro repetido sempre com pequenas alterações? (Penso aqui nos “clones” surgidos após o “Código Da Vinci”, por exemplo).
Talvez a revolução do pós-papel tenha vindo para institucionalizar e “viciar” também o leitor cujo padrão de gosto foge ao dominante. Uma espécie de “refinamento” dos padrões de venda que atende mais ao mercado do que ao leitor.